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Nas últimas décadas, o Brasil se tornou um dos maiores produtores agrícolas do mundo. Hoje somos o quarto maior produtor de grãos (arroz, cevada, soja, milho e trigo), atrás apenas da China, dos Estados Unidos e da Índia, sendo responsável por 7,8% da produção mundial. A nossa maior riqueza é o agro brasileiro, setor que, com a contribuição significativa do cooperativismo, é pujante, competitivo e faz a segurança alimentar do nosso país e do mundo.

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Estamos entre os top five da cadeia alimentar, com 19% do mercado internacional. Nos últimos 20 anos, as exportações brasileiras atingiram mais de 1,1 bilhão de toneladas, o que representa 12,6% do total exportado mundialmente. Neste cenário, a demanda por fertilizantes, principalmente os clássicos minerais da cadeia tradicional (NPK – Nitrogenados, Fosfatados e Potássicos), aumentou exponencialmente nas últimas décadas.

Em 2021, o Brasil importou cerca de 41 milhões de toneladas de fertilizantes e cinco países foram responsáveis por 60% do fornecimento dos insumos: Rússia – 22,3%; China – 15,2%; Canadá – 10,0%; Marrocos – 7,1% e Belarus – 5,8%. Consumimos anualmente mais de 55 milhões de toneladas e somos o maior importador desses produtos no mundo.

A demanda pujante deixa a economia brasileira, fortemente apoiada no setor agropecuário, vulnerável às oscilações do mercado internacional de fertilizantes. Exemplo disso é que fatos ocorridos sucessivamente, como as medidas de controle da pandemia da Covid-19, a diminuição das atividades produtivas e a crise energética e de logística na Europa, acabaram levando a uma crise global que tem elevado o preço desses insumos a níveis jamais vistos antes.

Agora, em meio a guerra na Ucrânia e às sanções impostas à Rússia, principal fornecedora de insumos ao Brasil, um cenário adverso para o fornecimento de fertilizantes nos níveis demandados para a safra 2022/23 preocupa ainda mais nossos produtores.

Ainda é cedo para um prognóstico sobre os reais impactos que esse conflito exercerá sobre as importações brasileiras de fertilizantes, ou até mesmo para todo o setor agro como. No entanto, se as sanções (de forma geral) se estenderem no tempo, a situação tende a ficar mais preocupante em razão dos seus efeitos secundários, como as dificuldades relacionadas aos pagamentos, fretes e preços de alimentos.

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Diante disso, o governo precisa tomar como prioridade aqueles que estão no front do agro brasileiro. Não apenas da indústria de produção e distribuição de fertilizantes, como também o produtor rural e o cooperativismo, que realmente está vencendo essa batalha com números recordes de produção, década após década.

Em busca de uma ação estratégica, o Governo Federal lançou no dia 11 de março o Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), que visa, em um período de 30 anos, diminuir a dependência brasileira de importação, que hoje é de 85%, para cerca de 55%.

Nós do Sistema OCB vemos com bons olhos essa “diplomacia dos fertilizantes” desenvolvida pelo Ministério da Agricultura em conjunto com o setor agropecuário, e acreditamos que o plano abre uma série de oportunidades para o desenvolvimento e o aumento de eficiência do uso de fertilizantes no Brasil.

Não estamos visando autossuficiência. Entendemos que o mundo manterá seus fluxos comerciais e que as commodities continuarão circulando em ambiente de livre mercado. O foco agora é tratarmos de um problema estrutural que preocupa o nosso setor.

O Plano Nacional de Fertilizantes é fruto da excelência alcançada nesse empenho conjunto de todos os setores. Ele contém diretrizes e ações que muito contribuirá para continuarmos transformando de forma sustentável os recursos naturais em prosperidade e bem-estar social para os brasileiros.

*Márcio Lopes de Freitas é presidente do Sistema OCB.

**As ideias e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial da revista Globo Rural

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Source: Rural

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