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Espécie pode ser plantada em solos argilosos e em regiões de altitude sem tratos culturais intensos (Foto: Thinkstock)

 

Cura e prevenção de doenças e de dores e mal-estares são alguns dos benefícios esperados pelos consumidores de plantas medicinais, que aqui têm disponíveis muitas variedades cultivadas. Dada a vantagem de brotarem com facilidade sob as diversas condições de solo e clima existentes no país, há um grande leque de opções de plantas que o pequeno agricultor pode explorar comercialmente.

A erva baleeira (Cordia curassavica) é um exemplo de planta medicinal que pode gerar renda para o produtor em todo o território nacional, pois não exige características ambientais específicas para seu desenvolvimento. Embora seja encontrada espontaneamente em solos arenosos e em áreas de restinga, duna e praia, em uma extensão do Piauí ao Rio Grande do Sul, a espécie, bastante rústica, pode ser plantada em solos argilosos e em regiões de altitude sem tratos culturais intensos.

As flores são são brancas e dispostas em espiga (Foto: Thinkstock)

De uso popular como planta de efeito analgésico, anti-inflamatório, antiúlcera, antifúngica e antiartrite, a erva baleeira tem em suas folhas um produto de valor comercial com procura crescente, graças aos avanços das pesquisas científicas em relação aos seus compostos – flavonoides, cordiaquinonas e muitos outros elementos bioativos presentes no óleo essencial. As raízes também vêm sendo utilizadas por algumas comunidades para beneficiar a saúde.

Programas municipais de fitoterapia e o Sistema Único de Saúde (SUS) mostram interesse na utilização da planta para tratamentos terapêuticos, demanda que tende a aumentar a escala de produção da erva baleeira de qualidade e obtida por meio da aplicação de boas técnicas agrícolas.

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Balieira, maria-preta e pimenteira são outros nomes para a erva baleeira, que pertence à família Boraginaceae. Arbusto perene, muito ramificado e de porte ereto, com 1,5 a 2,5 metros de altura, pode chegar a uma pequena árvore. Possui folhas simples, oblongas e serradas, de 5 a 9 centímetros de comprimento. Ásperas na parte superior e com forte odor, lembrando temperos, têm coloração verde-escuro, sendo algumas, contudo, totalmente amarelas.

As flores, que duram ao longo dos oito meses mais quentes do ano, sobretudo no período de primavera e verão, são brancas e dispostas em espiga. A polinização é realizada por abelhas europeias, o que resulta na produção de frutos avermelhados comestíveis, principalmente por pássaros de diversas espécies que, involuntariamente, fazem a dispersão das sementes.

 

INÍCIO As sementes da erva baleeira podem ser obtidas em instituições de pesquisa ou coletadas em áreas de ocorrência natural da espécie. Colha frutos vermelhos e maduros de 20 a 50 plantas e coloque-os para secar ao sol ou em estufa a 35 ºC, sempre revirando cada um para facilitar a remoção da mucilagem que envolve a semente ao friccioná-la contra uma peneira.

AMBIENTE Com boa adaptação em todas as regiões do país, a erva baleeira desenvolve-se em qualquer clima e temperatura. Não necessita de condições ambientais específicas para produzir, por ser uma espécie bastante rústica. No entanto, é sensível a geadas.

PROPAGAÇÃO Embora comecem a germinar em 20 dias, as sementes têm a semeadura completada aos 50 dias, porque cada uma apresenta dormência em diferente grau de intensidade. Devido à germinação irregular, a dica é semear primeiro em canteiros, para evitar a falta de uniformidade das mudas. À medida que germinam, transplante-as para tubetes, ou bandejas de isopor, formando lotes homogêneos.

PLANTIO Após cerca de dois meses, com 10 a 15 centímetros de altura, as mudas estão prontas para o transplante em covas (berços) de 15 a 20 centímetros de profundidade e com 0,5 metro de espaço entre si na linha. Transfira em dia nublado e faça irrigação abundante diariamente durante o primeiro mês. Fértil, levemente ácido e bem drenado são as características de solo que a planta mais gosta, embora apresente bom desenvolvimento em outros tipos de terrenos, exceto os encharcados. Se o pH estiver abaixo da faixa entre 6 e 6,5, recomenda-se aplicar a calagem de acordo com a análise do solo.

ESPAÇAMENTO O mais adequado é de 0,5 metro entre plantas, pois medidas menores prejudicam o crescimento da erva baleeira e as maiores comprometem a produtividade da cultura. Na entrelinha, a distância é de 1,6 metro.

CUIDADOS No preparo do solo em áreas pequenas, pode-se, eventualmente, usar enxada rotativa em faixas de 1 metro de largura e distantes 60 centímetros umas da outras. Em áreas grandes, utilize apenas grade leve. A erva baleeira responde bem à adubação com fósforo, potássio, nitrogênio, carbono, boro e manganês. Para permitir o serviço de roçadeira na parte de baixo da erva, adote a poda de formação na planta jovem, para que o arbusto seja formado a partir de 20 a 25 centímetros de altura.

PRODUÇÃO Das folhas começa aos seis meses do cultivo, mas o momento ideal para a colheita é no início da emissão das espigas já com algumas flores abertas ou quando a planta estiver com 1 a 1,3 metro de altura. Com tesoura de poda, corte a periferia da planta, retirando os ramos mais finos com folhas e inflorescências. A separação das folhas dos galhos após a secagem tem a vantagem de não precisar de máquina separadora. Quando as folhas estiverem crocantes, bata as plantas com um cambão para desprendê-las. A produtividade de folhas secas por planta é de cerca de 170 gramas.

Onde comprar: material de propagação pode ser obtido por meio do programa de seleção da erva baleeira do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Unicamp, Av. Alexandre Cazellato, 999, CEP 13140-000, Paulínia (SP), tel. (19) 2139-2850
Mais informações: Divisão de Extensão Rural da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), tel. (19) 3743-3810

*CONSULTOR: Pedro Melillo de Magalhães é pesquisador colaborador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Caixa Postal 6171, CEP 130 81-970, Campinas (SP), tel. (19) 2139-2891, pedro@cpqba.unicamp.br
Source: Rural

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