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O cultivo do avocado hass, uma variedade de abacate com casaca escura e polpa mais consistente que o abacate tropical, está crescendo em ritmo rápido no Brasil. A diretora presidente da Associação Abacates do Brasil, Maria Cecilia Whately, conta que o cultivo somava mil hectares em 2016 e passou para 9 mil hectares plantados agora.

Já a área total de abacate no país, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passou de 10,9 mil hectares em 2016 para 16,4 mil hectares em 2020, uma alta de 50%, sem distinção entre o tropical e o hass.

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Cerca de 95% do produto é destinado à exportação, porque há um forte consumo da fruta no exterior, que paga bons preços ao produtor. Outro motivo de destinar o produto para exportação é o fato de o hass conseguir ser embarcado em navio, suportando viagens de 40 dias, enquanto que o tropical só é exportado em ínfima quantidade de avião, pois estraga rápido. O Brasil vende para países como União Europeia, Emirados Árabes Unidos e Argentina. E, em parceria com a Abrafrutas, a associação está buscando a abertura dos mercados do Chile, Estados Unidos e China.

Com nome que significa abacate em inglês, a fruta pequena, de casca escura e grossa e polpa cremosa, é rica em gorduras monoinsaturadas (Foto: Luiz Maximiano)

 

O interesse é tão grande na cultura, chamada por especialistas como “ouro verde”, que está começando um forte movimento de produção no Ceará. Devido ao clima, a produção nesse Estado será forte entre novembro e fevereiro, justamente na entressafra dos Estados produtores do Sudeste, como São Paulo, Minas Gerais e Paraná, que detêm 90% da produção nacional de abacate que em 2020 somou 266,7 mil toneladas.

Os dados do ano passado não foram divulgados, mas Whately explica que a seca e as geadas de 2021 foram responsáveis por uma queda de safra 30% da produção. “As Serras do Nordeste, do Espírito Santo e do Rio de Janeiro têm condições de plantar hass, o ‘ouro verde’ da atualidade. Eu não sei porque que não plantam”, diz o professor Osvaldo Kioshi Yamanishi, agrônomo da Universidade de Brasília (UNB) e grande incentivador do cultivo.

“O consumo no exterior cresce, mas ao invés de o preço cair, ele triplicou. A oportunidade está no Brasil porque os outros países produtores como o México, não têm nem onde plantar mais abacate, as áreas boas estão cheias; o Chile não tem onde plantar porque não tem água, no Peru precisa projetos de irrigação e está caríssimo. O Brasil tem clima e tem terra para produzir mais que o México. Mas não temos mercado interno consolidado para esse abacate, é um produto destinado para exportação.”

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A pandemia do novo coronavírus impulsionou esse mercado em razão do apelo que o hass tem pela saúde e qualidade de vida. E foi nesse momento que a empresa Reijers precisou se mover. Desde 2001, a Reijers investiu no cultivo de flores em São Benedito, na Serra da Ibiapaba, a 350 km de Fortaleza, no Ceará. Os lockdowns impostos pelo coronavírus foram um duro golpe no comércio de flores, e os proprietários buscaram diversificar a produção.

Além de limão, pitaia e goiaba, o agrônomo Tiago Reijers encontrou no avocado hass o seu principal investimento. No início deste ano, foram adquiridas 10 mil mudas que serão totalmente plantadas até o fim de maio em 25 hectares. E, em quatro anos, a empresa espera ter uma plantação total de 500 hectares. “Como iniciamos no começo do ano a plantação, vamos colher os primeiros frutos em 2023. E tem crescido bastante o interesse dos produtores aqui da região pelo cultivo. Já tem viveiros desenvolvendo mudas na região e produtores com teste e já começando a pensar em expandir essa produção”, explica Tiago Reijers, que já está em contato com compradores interessados nos Estados Unidos e União Europeia.

Segundo Whately, o mercado para exportação é o principal destino, uma vez que o brasileiro tem o hábito em consumir o abacate tropical para fazer vitaminas, em forma de doce, sobremesa. O consumo de abacate no País é de apenas 1 kg por pessoa ao ano, enquanto na Califórnia e no México o consumo chega a 10 kg por pessoa ao ano e 6 kg no Chile. “Há um alto consumo nesses países, porque eles consomem o abacate salgado. E nosso habito é muito do doce, mas o hass vem para a pegada para pratos salgados. O que nós da associação buscamos são várias maneiras de apresentar o abacate”, diz a diretora presidente da Abacates do Brasil. “Os Estados Unidos importam 982 mil toneladas de abacate, a União Europeia, 539 mil. O Brasil não atende sequer a uma semana do consumo dos Estados Unidos com volume que estamos produzindo. Eles chegam a consumir 50 mil toneladas só na semana do Super Bowl, em fevereiro”, diz Yamanishi.

O clima no Brasil afetou não apenas a produção, mas também as vendas externas. De acordo com a Abrafrutas, as exportações de hass passaram de 10 mil toneladas em 2019 para 7 mil toneladas em 2020 e 8 mil toneladas em 2021. “A produção foi muito baixa de dois anos prá cá, porque a crise hídrica afetou a produção na região de Bauru, que foram anos bem judiados. No ano passado produzimos 2,7 mil toneladas, enquanto que em 2020 foram 5 mil toneladas. Mas neste ano a previsão é de 3,5 mil toneladas. Ano passado exportamos cerca de 160 contêineres, e esse ano vamos exportar 230 contêineres”, conta Lígia Falanghe Carvalho, uma das sucessoras do Grupo Jaguacy, que começou a produzir hass em 1970 e foi, por muito tempo, o único player do mercado. A produção é em fazenda própria em Bauru e Avaré e conta com parceiros que disponibilizam uma área total de 1,3 mil hectares só de hass.

Tioos de abacate (Foto: Felipe Hideki Yatabe)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ela vê com bons olhos a ampliação da fronteira de produção no Ceará, mas avalia que o foco é ainda o mercado exterior. “Eu acho que há espaço para crescer a produção, mas para exportação. O mercado nacional é muito ínfimo. E tem que ter qualidade de fruta, tem que ter certificação. Há uma demanda que necessita de muito marketing e comunicação, não é um produto commodity. Precisa ter esse cuidado, essa é a preocupação de quem está produzindo agora.”

Em sua opinião, o mais importante agora é manter uma proximidade com o Ministério da Agricultura na abertura de novos mercados no exterior, para que a fruta não fique encalhada na Europa. “Isso é um trabalho de governo a governo. Estamos fazendo trabalho sério junto aos Estados Unidos e Chile, que apesar de estar no Hemisfério Sul, está na contrassafra nossa, é importante ter outros países para que o Brasil possa exportar.”

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Source: Rural

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