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Os preços do leite aumentaram. Mas os custos também. Uma situação que tende a pressionar a rentabilidade da cadeia produtiva, avalia a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em boletim de análise de conjuntura divulgado nesta semana.

De acordo com os técnicos, a redução na oferta ajudou a elevar os preços nas principais regiões produtores, o que é considerado um momento até natural, já que o período é mais seco. Ainda assim, a relação de troca por insumos como milho e farelo de soja piorou para o produtor.

Conab avalia que tendência é de manutenção dos preços do leite em níveis elevados (Foto: Getty Images)

 

"Historicamente, com o início da colheita do milho segunda safra, as cotações do grão tendem a cair", explica o gerente de Produtos Pecuários da Conab, Fabiano Vasconcellos, em nota. "No entanto, a menor oferta de milho nesta safra e, mais recentemente, os danos ocasionados pelas geadas ocorridas no fim de junho, podem voltar a prejudicar essa relação para o setor leiteiro”, acrescenta.

Na avaliação da Embrapa Gado de Leite, o cenário atual é de incerteza em relação aos insumos para a produção leiteira. De acordo com a instituição, o alimento concentrado (mistura de milho com farelo de soja) tem apresentado forte elevação no mercado internacional. Apenas em maio, o valor médio foi de US$ 0,34 o quilo, alta de 51,4% em relação à média do período de 2018 a 2020.

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A Embrapa Gado de Leite lembra que soja e milho são commodities negociadas internacionalmente e com preços referenciados em dólar. E as atuais cotações da moeda americana no Brasil também não ajudam a aliviar a situação da cadeia produtiva do leite.

“Dados do ICPLeite (Índice de Custo de Produção de Leite da Embrapa) apontam que, em junho, a compra e produção de volumosos apresentou uma variação de 7% e a alimentação concentrada, 3,85%. Alimentar o rebanho está mais caro nesta entressafra”, informa a instituição. O ICPLeite, de um modo geral, teve alta de 39% nos últimos 12 meses encerrados em junho. O concentrado subiu 68% no período.

“Para agravar a situação, a falta de chuva no Centro-Sul do país comprometeu a produção do milho safrinha”, lembra o pesquisador da Embrapa, Glauco Carvalho, de acordo com o divulgado pela Embrapa Gado de Leite. “Além do atraso no plantio da safra de grãos e das poucas chuvas, mais recentemente, geadas em importantes regiões produtoras de milho safrinha afetaram a oferta”, acrescenta.

Tendência de alta

A alta nos custos, além de pressionar as margens do produtor, deixa mais caros os produtos lácteos, ressalta a Embrapa. No mercado atacadista, o leite longa vida (UHT) era vendido, em média, a R$ 3,55 o litro nos primeiros 15 dias de junho. O queijo muçarela chegou a R$ 27,81 o quilo.

“Após os preços registrarem alta no atacado, o mercado perdeu força nos últimos dias, mas ainda há uma sustentação em função da entressafra, que termina em agosto/setembro”, diz o pesquisador Glauco Carvalho.

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Na avaliação da Conab, a tendência é de que os preços do leite se mantenham em alta. No mercado internacional, o produto continua em níveis elevados e a produção não deve ter um crescimento significativo neste ano. 

No Brasil, apesar das dificuldades com o clima e com os preços de insumos, a produção de leite sob inspeção aumentou 1,8% no primeiro trimestre em comparação com o intervalo de janeiro a março de 2020. E a captação caminha para ser levemente superior à dos últimos anos.

Ainda assim, no primeiro semestre, as importações de lácteos pelo Brasil aumentaram 37,2% em relação ao mesmo período em 2020. “Mesmo que as cotações no mercado internacional estejam em patamares elevados, o que acabou freando o aumento expressivo de importações observado no primeiro trimestre de 2021, a baixa oferta interna ainda favorece as importações", ressalta Fabiano Vasconcellos.
Source: Rural

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