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Quantos quilos ou unidades cada brasileiro come de proteína animal por ano? Esta é uma pergunta praticamente impossível de se responder. Mas podemos fazer uma média: 45 quilos de frango, 16 quilos de carne suína e 251 ovos. Obviamente esta é uma média ponderada. Há quem não coma, e há aqueles – como este que vos escreve – que superam (e muito) estes índices per capita traçados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

São números expressivos, que nos colocam entre os grandes consumidores mundiais de proteínas – um verdadeiro privilégio, reservado apenas às nações com maior renda média. Isso diz muito sobre quem somos: uma nação produtora de alimentos seguros e acessíveis. Nem tanto, entretanto, sobre quem somos como consumidores.

Quando traçamos a radiografia destes números, descobrimos um consumidor plural, com anseios e dúvidas aparentemente simples, mas persistentes. Foi isto que descobrimos a partir da pesquisa encomendada pela ABPA ao Centro de Assessoria e Pesquisa de Mercado (CEAP), que entrevistou mais de 2.500 pessoas em 113 cidades de todos os estados brasileiros.

 

A pesquisa nos mostrou, por exemplo, que há consumo de proteína animal em 98,5% dos lares em todo o país. O grande campeão em presença são os ovos, que também se destacaram como proteína cujo consumo registrou maior aumento nos últimos anos. Eles são seguidos pela carne de frango, com 94%, e pela carne suína, com 80% de presença nos lares brasileiros. A pesquisa também contemplou bovinos (com 79%) e peixe (com 65%).

E quase metade (47%) dos consultados consomem ovo todo dia. O ovo, aliás, é considerado como um produto de alto valor nutricional e com bons níveis de colesterol por 74% dos entrevistados, também considerado como excelente fonte de proteína por 82%.

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Já a carne de frango, que tem consumo mais concentrado em menos dias – 54% dos entrevistados consomem entre duas e três vezes por semana – é vista como proteína saudável por 82% dos entrevistados, e como de prático preparo por 68%.

No caso da carne suína, que tem frequência de consumo mais distribuída (34% consomem entre duas e três vezes por semana, e 27% apenas uma vez a cada sete dias), a preferência é pela carne sem adição de temperos, segundo 70% dos consultados. 

A pesquisa apontou, ainda, que o local preferido para a compra das carnes de frango e suína e os ovos é o supermercado (ou o hipermercado). Em segundo lugar está o açougue para aves e suínos, e os mercados de bairro, no caso do ovo.

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Realizada entre o último dezembro e fevereiro, a pesquisa traz, também, uma visão dos impactos do cenário de pandemia nos hábitos de consumo. Embora 78% não tenham alterado os hábitos de consumo no período, 22% informaram ter incrementado a compra de ovos, carne de frango e carne suína. Para estes últimos, o preço e o aumento das refeições em casa foram colocados como fatores decisórios – efeito das restrições de circulação de pessoas e dos impactos na renda média.

E se estivemos bem menos “aglomerados” nestes dias difíceis de pandemia, a necessidade de isolamento nos levou a uma presença maior na internet. Isto inclui, por exemplo, a substituição das compras presenciais pela on-line. As compras de carne de frango, suína e ovos dobraram após a pandemia, segundo a pesquisa. No caso de derivados de carne suína, como as linguiças, o número quase quadruplicou.

53% dos entrevistados na pesquisa sabem que o Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango e 59% não acreditam que a avicultura e suinocultura desmatam a Amazônia

Ricardo Santin, presidente da ABPA

Outro fator que ganhou força na pandemia é a segurança dos alimentos. Em parte, impulsionada por informações equivocadas e sem comprovação científica. Exemplo claro disso foi a suposta detecção de traços de coronavírus em embalagens de produtos importados, amplamente divulgadas por autoridades de províncias chinesas – cujo risco de contaminação é praticamente descartado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Embora 72% dos entrevistados tenham afirmado que as fakenews sobre o tema não alteraram o consumo, parte do público consumidor foi impactado e quando questionado sobre inovações para os produtos, 39% miraram justamente as embalagens.

O pedido foi claro: embalagens mais fáceis de lavar, higienizar e esterilizar. Obviamente que a preocupação com os impactos ambientais das embalagens descartadas e a praticidade e segurança no armazenamento também foram consideradas pelo público.

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Os desafios são muitos, e alguns mitos ainda perduram. É o caso do mito dos hormônios na carne de frango – já ostensivamente desmentido pelo setor, sob bases científicas – que ainda persiste no imaginário de 54% dos entrevistados. Também ocorre com a carne suína, uma das mais saudáveis que existem no mercado, mas que ainda é percebida como de alto teor de gordura por 59% do público.

Por outro lado, o reconhecimento sobre a competência do agro brasileiro é cada vez mais percebida: 53% sabem que somos os maiores exportadores mundiais de carne de frango e 59% não acreditam que a avicultura e a suinocultura desmatam a Amazônia, confirmando o entendimento correto de que a produção está, predominantemente, fora do Bioma Amazônico.

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Há vitórias a se comemorar, mas avanços significativos em termos de imagem que precisamos conquistar. O trabalho de excelência empregado pelos produtores de alimentos ainda encontra obstáculos diante de julgamentos injustos, baseados em impressões que não são pautadas pelo conhecimento.

Fica clara a necessidade de investir na formação de um consumidor que desfrute de informações mais precisas e claras. Em um mercado com consumidores cada vez mais engajados, a informação é o principal escudo para o consumo consciente e menor desperdício.

*Ricardo Santin é presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que reúne 140 empresas e entidades vinculadas à avicultura e à suinocultura do Brasil.

As ideias e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade do seu autor e não representam, necessariamente, o posicionamento da Revista Globo Rural.

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Source: Rural

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