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(Foto: Fernando Martinho/Editora Globo)

 

Amanda Pinto, de 29 anos, praticamente nasceu na Granja Mantiqueira, em Itanhandu (MG), onde aprendeu a falar “ovo” antes de “mãe” ou“pai” e viu a pequena empresa de 30 mil galinhas fundada em 1987 pelo pai, Leandro Pinto, se tornar a maior produtora de ovos da América Latina, com 2,5 bilhões de unidades por ano.

Em 2019, trabalhando dentro da própria Mantiqueira, ela criou uma foodtech e surpreendeu o mercado com a produção de ovos sem galinhas, à base de plantas (plant-based).

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A invenção lhe valeu o prêmio Innovator Under 35, concedido em dezembro de 2020 pela revista MIT Technology Review, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts,aos 35 principais inovadores da América Latina com menos de 35 anos.

A fundadora e head do business da foodtech da Mantiqueira também entrou na lista Forbes Under30 da revista Forbes, que destaca os principais empreendedores e criadores brasileiros com menos de 30 anos que revolucionaram os mercados em que atuam.

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Formada em administração de empresas pela PUC do Rio e pós-graduada em marketing pela Universidade de Berkeley (EUA), Amanda tentou primeiro empreender como dona de butique, mas não foi bem-sucedida. Em2013, abriu mão de um emprego na TV Globo para aprender como pai a dirigir um negócio de sucesso.

Na Mantiqueira, criou o departamento de marketing e tornou a marca uma grife conhecida em todo o país. Logo começou a se questionar sobre o bem-estar animal nas granjas versus a sustentabilidade. Após muita argumentação, convenceu o pai e o sócio dele, Carlos Cunha, a libertar das gaiolas parte dos 11 milhões de galinhas e colocar no mercado os ovos “cage-free”. Lançou também os ovos solidários, em que parte das vendas vai para projetos sociais.

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Uma viagem em 2017 para participar do congresso Global Summit, no Vale do Silício (EUA), foi a inspiração de Amanda para a criação da foodtech disruptiva.

Lá ela ouviu uma palestra do escritor, ambientalista e ativista americano Paul Hawken, autor de Drawdown: 100 iniciativas poderosas para resolver a crise climática, em que ele citou como quarta iniciativa a adoção de uma dieta rica em plantas, sem necessariamente se tornar vegetariano ou vegano. Ela aproveitou, então, a viagem para visitar startups americanas que já produziam proteínas à base de plantas.

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“Descobri que a produção de alimentos plant-based não é um mercado de nicho e pode ser a solução para o problema da fome no mundo, já que, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), uma em cada nove pessoas é malnutrida. E alimentamos menos gente produzindo carne do que se levássemos os grãos que compõem a ração dos animais direto para as pessoas. Além disso, a maior parte das doenças infecciosas, como gripe suína e vaca louca, vem dos animais.”

Entusiasmada com as descobertas, Amanda ligou para Leandro dos EUA e disse:“Pai, a gente vai fazer um bem para o planeta e para as pessoas”. Na volta, cheia de produtos na mala, ela reuniu os sócios e os conselheiros da Mantiqueira para apresentar suas ideias. “Na reunião, alguns chegaram a dormir na minha cara. Outros falaram que eu era muito louca por querer criar um produto que competiria com o principal negócio da empresa.” A Mantiqueira também cria bovinos em confinamento.

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Convencido de que seria melhor que a mudança viesse de dentro, o pai só fez uma exigência, segundo Amanda: que o ovo fosse o primeiro produto da foodtech. O N.ovo, pó de ovo plant-based para ser usado em receitas, foi anunciado em março de 2019 e, em junho, chegou às gôndolas dos supermercados.

Em mais uma estratégia de marketing, Amanda optou por lançar o produto em uma cartela similar à do ovo de galinha. Produzido com amido de ervilha e linhaça, o pó da cartela pode substituir 12 unidades em receitas de bolos, tortas, panquecas e outras massas.

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Amanda come peixe e ovos (de galinhas livres, é claro), portanto, não é vegana nem vegetariana. Ela diz que não criou um ovo vegano, e sim um produto que é uma escolha saudável e óbvia para todos. O preço (cerca de R$ 16) é bem superior ao do ovo comum, devido aos custos da matéria-prima. O plano da marca é se posicionar como um produto acessível, mas premium.

No ano passado, em plena pandemia, a N.Ovo lançou três sabores de maionese (original, ervas finas e lemon pepper) e uma receita de ovos mexidos – à venda, por enquanto, somente na capital paulista.

“A pandemia atrapalhou as vendas, já que o mercado varejista ficou muito apegado aos produtos tradicionais e os eventos de degustação em supermercados foram cancelados, mas já estamos recuperando.” A produção é toda terceirizada. As maioneses são feitas no interior do Rio e as receitas, no interior paulista.

Os alimentos plant-based não são um mercado de nicho e podem ser a solução para o problema da fome no mundo"

Amanda Pinto

Em setembro do ano passado, Amanda, que já tinha deixado o comando do marketing da granja um ano antes, completou o “desmame”: a N.ovo saiu da estrutura física da Mantiqueira no Rio e passou a ocupar um espaço de coworking em São Paulo.

A empresária não revela o valor total investido até agora na startup, que mantém a Mantiqueira como investidora, mas diz estar aberta para outros aportes, se for necessário. Os planos de curto e médio prazo incluem criar novas proteínas plant-based. Dos cinco funcionários da foodtech (ante os 2.200 da Mantiqueira), quatro são mulheres.“A cho importante empoderar as mulheres.”

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Source: Rural

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